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Quarta-feira, Agosto 10, 2022

Síndrome de Burnout: O que é e como evitá-la

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O mundo profissional exige cada vez mais produtividade e eficiência. Isso está deixando as pessoas doentes — e não é uma doença qualquer. A Síndrome de Burnout entrou no radar da Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2019, mas foi no início de 2022 que ela passou a ser considerada uma doença ocupacional (ou seja, relacionada ao trabalho).

Sendo assim, garante ao empregado direitos trabalhistas como licença médica e até mesmo aposentadoria por invalidez. A síndrome também integra a Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O termo nasceu no inglês, pela junção das palavras “burn”, que significa queimar, e “out”, sendo “por fora, saída, mostrando o lado exterior”. Sendo assim, a síndrome de Burnout “queima de dentro para fora”. No início, não é algo visível, mas não deixa de ser menos sério por isso.

Nesse contexto, burnout significa entrar em colapso físico e mental por causa da pressão excessiva no trabalho e do acúmulo de funções e responsabilidades que, ao longo do tempo, causam consequências para a saúde.

Porque a síndrome de Burnout acontece?

O transtorno da Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional,  se tornou popular e foco de atenção na saúde e bem-estar dos trabalhadores de muitas empresas. Esse distúrbio psicológico é caracterizado por um estado de tensão emocional e estresse, resultados das condições de trabalho.

Esse transtorno é mais comum em profissionais que lidam diariamente com pressão no trabalho ou metas a serem batidas, por exemplo: médicos, jornalistas, professores, advogados, policiais. Além disso, a falta de reconhecimento, síndrome do impostor — onde a pessoa crê que não é capaz de realizar suas tarefas profissionais — e problemas sociais com os colegas também colaboram para o diagnóstico.

Burnout na pandemia

Uma pesquisa da Microsoft apontou um aumento de 44% de brasileiros com esgotamento profissional. “A Síndrome de Burnout, consequência do excesso ou sobrecarga de trabalho, se agravou na pandemia. Assim, a pessoa se sente literalmente exausta, esgotada física e psicologicamente, seja por causa do número de horas trabalhadas, seja pelo estresse provocado pelas condições de trabalho”, explica a psiquiatra Danielle H Admoni.

Outro estudo da PEBMED, publicado em 2020, mostrou que durante a pandemia da Covid-19 no Brasil, 78% dos profissionais de saúde tiveram algum sinal da Síndrome de Burnout. Entre eles, 79% eram médicos, 74% enfermeiros e 64% técnicos de enfermagem. Em 2019, a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) também revelou que dos trabalhadores em um todo, 30% dos mais de 100 milhões de empregados brasileiros sofriam com o distúrbio.

home office, por exemplo, se tornou uma rotina para muitos profissionais. No entanto, nem todos conseguiram se adaptar às mudanças. “Pacientes relatam desânimo, dificuldade de raciocínio, ansiedade, irritabilidade, sensação de incapacidade, diminuição da motivação e da criatividade, entre outros sintomas”, conta o também psiquiatra Adiel Rios.

privação do sono também é um forte gatilho para a Síndrome de Burnout. “Quando o profissional não dorme o suficiente para ser produtivo ou trabalha até tarde da noite, sua rotina do sono é prejudicada. O que desregula, desse modo, o relógio biológico. Isso resulta em uma extrema exaustão, pois o organismo, que já está habituado com um determinado padrão de sono, sofre um forte impacto, precisando de tempo e resistência para se adequar às mudanças”, reforça Adiel.

Atenção aos sintomas da Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout geralmente se inicia com episódios de estresse pontuais, mas que se tornam cada vez mais recorrentes até que a pessoa se sinta esgotada.

Imagine a cena: você embarca em um desafio profissional e quer ser reconhecido pelo seu esforço. Então, começa a trabalhar duro, estica o horário um dia, depois outro… Quando vê, está assumindo mais tarefas do que dá conta e vai ficando mais sobrecarregado, sem energia e tampouco se sente motivado para outras atividades. Esse é um exemplo de situação na qual uma pessoa pode desenvolver a Síndrome de Burnout, que se resume a 10 estágios:

1 – Dedicação intensificada aos assuntos do trabalho;

2 – Descaso com as necessidades pessoais;

3 – Aversão a conflitos;

4 – Reinterpretação dos valores;

5 – Negação de problemas;

6 – Recolhimento e aversão a reuniões. Além disso, mudanças evidentes de relacionamento com os pares e objetos (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor);

7 – Despersonalização (momentos de confusão mental em que a pessoa não sente seu corpo como habitualmente. Desse modo, pode se sentir flutuando ao ir ao trabalho, tem a percepção de que não controla o que diz ou o que fala, não se reconhece);

8 – Depressão, vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante;

9 – Colapso físico e mental;

10 – Estado de emergência. Ajuda médica e psicológica se tornam urgentes.

O primeiro estágio até parece inocente. Ser um profissional dedicado e interessado no trabalho é muito bom, pois ajuda a ampliar as perspectivas de carreira. Mas existe uma linha tênue entre se empenhar e deixar tudo de lado para se entregar completamente às necessidades profissionais.

E então, se identificou com alguns desses estágios e com a situação?

Tipos de Burnout

Síndrome de Burnout por sobrecarga

Quando o colaborador recebe tarefas além da conta. Para conseguir cumprir com os prazos, trabalha por mais horas por dia ou não faz pausas de descanso. Então, está sempre preocupado com as atividades do emprego e pensa constantemente, mesmo fora do horário de trabalho, sobre as tarefas.

Assume diversas tarefas que não são da própria função e acredita que isso ajuda no desempenho profissional. Contudo, não nota o reflexo desse esforço na saúde.

Burnout por falta de suporte e negligência

A falta de reconhecimento, feedbacks e reuniões de bem-estar também podem causar o distúrbio. Sendo assim, as faltas de desafios profissionais no dia a dia colaboram para o diagnóstico. Em outros casos, ter uma rotina sem muita movimentação e novidades se torna outro fator da síndrome.

Além disso, conviver com situações estressantes relacionadas aos colegas e/ou omissão do RH sobre casos abusivos.

Síndrome de Burnout por autossabotagem

Neste caso, o distúrbio é causado pelo profissional não achar que consegue realizar o trabalho designado. Isso vale para o trabalho sozinho, em time ou ajuda da empresa. Isso tudo gera a sensação de incompetência, desmotivação, falta de criatividade — também presentes na síndrome do impostor.

Outras vertentes

Primeiramente, o termo se associou apenas a trabalho profissional. No entanto, outras áreas da vida também podem estar ligadas à síndrome. Quando falamos de relações, o trabalho para manter esses relacionamentos também desencadeiam outros tipos do transtorno. Por exemplo:

Burnout materno ou parental: o termo ganhou força na pandemia. Assim, o home office para as mães é além da carga de horário profissional: o trabalho de cuidado com as crianças também pesa no dia a dia. Dessa forma, o sentimento de desamparo, baixa autoestima, perda de apetite e culpa profunda definem o distúrbio. Buscar ajuda também é ideal.

No distúrbio parental, os pais também são afetados. Buscar o tratamento é muito importante, pois esse tipo de Burnout pode afetar diretamente as crianças. Quando pressionados, os pais acabam descontando essa frustração nos pequenos, o que pode gerar violência verbal e física. Além disso, esse quadro também vale para os filhos que sofrem com a pressão imposta pelos pais.

Burnout afetivo: Além disso, os relacionamentos afetivos, sejam eles amorosos ou amigáveis, também podem levar à exaustão. Sentir que os relacionamentos são superficiais, ter que “pisar em ovos” para falar com as pessoas ou achar que o relacionamento é muito trabalhoso são alguns dos pontos que definem o transtorno.

Será que sou vítima da Síndrome de Burnout?

Somente um psicólogo, psiquiatra ou outro profissional de áreas correlatas é capaz de realizar o diagnóstico correto. No entanto, os sintomas são fundamentais para ficar atento e procurar ajuda:

  • Cansaço crônico: qualquer atividade simples torna-se exaustiva;
  • Dificuldade de se concentrar;
  • Episódios constantes de irritabilidade e alterações de humor;
  • Fugas frequentes do trabalho e de outros compromissos;
  • Desânimo e perda de interesse por qualquer assunto que não seja relacionado ao trabalho;
  • Crises de estresse frequentes;
  • Tremores;
  • Falta ou excesso de apetite;
  • Insônia;
  • Ansiedade;
  • Taquicardia;
  • Pressão alta;
  • Exteriorização de problemas na pele;
  • Crise de asma;
  • Problemas gastrointestinais;
  • Depressão.

Ademais, outra forma de perceber se algo não vai bem é analisar o quanto você se desgasta no trabalho e os sentimentos que são despertados em um momento de estresse ou pressão. Por isso, avalie se são emoções passageiras ou se elas permanecem mesmo depois de “largar a caneta”.

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